A Pedra mais alta

Me resolvi por subir na pedra mais alta. Localizadas no Rio de Janeiro, nas proximidades da divisa com os estados de Minas Gerais e São Paulo, as Prateleiras do Parque Nacional de Itatiaia são uma ótima opção para o passeio de um dia, para quem mora na região Sudeste.

O local fica no Parque onde está o ponto mais alto da região (e o quinto maior do Brasil), o Pico das Agulhas Negras, a 2791 metros acima do nível do mar. E o melhor: o mochileiro vai pagar pouco para desfrutar de um passeio cheio de emoção e belas paisagens.

A entrada para a Parte Alta do Parque custa R$ 12 por pessoa. Por se tratar de uma área arriscada, é imprescindível a companhia de um guia, obrigatoriamente com curso de formação.

Dá pra agendar o guia com antecedência pelo telefone que se encontra no site. Mas mesmo para quem vai pra lá sem ter se preparado tanto (como foi o meu caso na primeira vez), há instrutores que ficam aguardando os desavisados. Há inclusive a possibilidade de negociar melhores preços para grupos maiores.

Se paga a partir de R$ 35 por pessoa para a ‘escalaminhada’ (caminhada com pequenos trechos de escaladas no vocabulário dos guias). Para os mais aventureiros, passeios mais caros com equipamentos para escaladas a partir de R$ 90,00.

O que você não pode deixar de ver

No caminho de cerca de uma hora e meia (1h30min) para as Prateleiras, a paisagem encanta pela mistura de pedras e um verde que insiste em ser exuberante mesmo num terreno tão inóspito. Os remanescentes asfálticos da BR 485 – a mais alta estrada que o Brasil já teve, idealizada por Getúlio Vargas, que segundo a história tinha no Parque um de seus recantos favoritos – nos levam até a Cachoeira das Flores.

A visão da Cachoeira, no Rio Campo Belo, é incrível. Tão próxima da nascente e ao mesmo tempo tão caudalosa. Deu até pra fazer um mergulho corajoso nas suas águas geladas que, segundo o nosso guia, estavam abaixo dos 10 graus. Congelei (!) mas foi revigorante.

A Pedra da Tartaruga é outro ponto de parada curioso. Além do formato que lembra o do anfíbio, a pergunta que fica é: Como uma pedra deste tamanho pode ficar equilibrada numa área tão pequena de contato com o solo? Ao lado da rocha, para completar o cenário, a lagoa Dourada, um espelho d’água de deixar boquiaberto.

Para finalizar o passeio, a vista também intrigante das Prateleiras, que parecem pedras colocadas por Deus uma em cima da outra, no encaixe quase perfeito de um gigante quebra-cabeças. Ao longo de todo passeio contamos ainda com a onipresença do ponto culminante do estado do Rio de Janeiro emoldurando o cenário: o Pico das Agulhas Negras (um outro passeio que pretendo fazer qualquer dia desses!).

                           

Dicas para o mochileiro

Para este destino especificamente, a dica importante é a escolha do dia para a ida. Por se localizar num ponto tão alto, a presença de nuvens pode atrapalhar o passeio e dificultar a visualização das prateleiras. É quase assim: acordou cedo, olhou pela janela, viu que vai ser um dia ensolarado, partiu pras Prateleiras. Outra dica: nunca ande com a sua máquina fotográfica na mão pelos caminhos pedregosos do Parque ou você pode ter que arcar com o prejuízo.

Visite também o meu blog: O Vencedor

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