Sempre na estrada – “Deixe apenas pegadas, leve apenas lembranças”

A placa com a mensagem ecológica na entrada da trilha que leva à Lagoa Azul, uma das cinco cachoeiras do Parque Nacional de Itatiaia, avisa que ali o contato com a natureza conservada em toda a sua beleza é a atração principal: “Deixe apenas pegadas. Leve apenas lembranças”.

Já havia falado aqui no Oi Preguiça sobre o passeio à parte alta do Parque Nacional de Itatiaia e prometido um post sobre a parte baixa. São passeios bem distintos, e não dá nem pra dizer qual é o melhor.

Diferente da visita à parte alta, em que o mochileiro precisa pegar uma estrada na divisa com Minas Gerais, nesta o acesso se dá pelo próprio município de Itatiaia (RJ). O valor da entrada (R$ 20,00 por pessoa) pode até parecer salgado num primeiro momento, entretanto a boa estrutura das trilhas e estradas, que levam o visitante para experiências únicas em meio à Mata Atlântica, deixa o preço em segundo plano.

O que você não pode deixar de ver

A primeira parada obrigatória é o Museu da Fauna e da Flora, que apresenta uma exposição permanente de espécies brasileiras empalhadas, além de sala com jogos interativos. É divertida a volta à infância ao brincar em um Jogo da Memória gigante com fotos de animais, plantas e rochas.

A Lagoa Azul é a primeira e mais fácil das trilhas. O caminho com verde por todos os lados leva a um local muito agradável, inclusive com quiosques para um piquenique entre amigos ou familiares. Quem não levou comida pode, ali mesmo, fazer um lanche na única cantina do Parque.

Para aqueles que, como eu, se aventuram em nadar nas águas geladas das cachoeiras, a parada no Poço da Maromba é a melhor opção. É uma piscina natural das mais belas.

Principal destino dos visitantes do Parque, a cachoeira Véu da Noiva é um espetáculo a parte. Há 1100 metros de altitude e com uma queda d’água de aproximadamente 40 metros, o local é perfeito para boas fotos. Além, é claro, de um banho revigorante embaixo do grande chuveiro natural.

Fiz mas não recomendo

A visita às outras duas cachoeiras do parque, Poranga e Itaporani, geralmente está proibida no verão, justamente pelo risco de trombas d’água. Apesar disso, me aventurei com alguns amigos a conhecer e confesso que achei arriscado pra visitantes despreparados.

São as trilhas mais difíceis do Parque, com alguns trechos muito íngremes. E, por conta da menor visitação, em alguns pedaços o mato cresce dificultando a identificação do caminho. São belas paisagens, mas acredito não valer a pena sem a presença de um guia profissional.

Adeus

Ao final do Dia, já na estrada de descida do Parque, antes da saída, vale muito a pena conhecer o Mirante do Último Adeus. Uma vista estonteante de todo o parque ao pôr do sol encerra com chave de ouro um dia perfeito (podem apostar!). Quem ainda tiver a sorte, vai conseguir ver esquilos, micos e aves exóticas pelo caminho.

Dica para o mochileiro

A ida ao parque é o tipo do passeio que você consegue fazer em um dia, principalmente pra quem mora no Rio de Janeiro ou São Paulo (fica num ponto equidistante entre as duas capitais). Mas pra quem se interessar, existem pousadas localizadas dentro do parque. Uma zapeada pela internet apresenta algumas opções.

A Pedra mais alta

Me resolvi por subir na pedra mais alta. Localizadas no Rio de Janeiro, nas proximidades da divisa com os estados de Minas Gerais e São Paulo, as Prateleiras do Parque Nacional de Itatiaia são uma ótima opção para o passeio de um dia, para quem mora na região Sudeste.

O local fica no Parque onde está o ponto mais alto da região (e o quinto maior do Brasil), o Pico das Agulhas Negras, a 2791 metros acima do nível do mar. E o melhor: o mochileiro vai pagar pouco para desfrutar de um passeio cheio de emoção e belas paisagens.

A entrada para a Parte Alta do Parque custa R$ 12 por pessoa. Por se tratar de uma área arriscada, é imprescindível a companhia de um guia, obrigatoriamente com curso de formação.

Dá pra agendar o guia com antecedência pelo telefone que se encontra no site. Mas mesmo para quem vai pra lá sem ter se preparado tanto (como foi o meu caso na primeira vez), há instrutores que ficam aguardando os desavisados. Há inclusive a possibilidade de negociar melhores preços para grupos maiores.

Se paga a partir de R$ 35 por pessoa para a ‘escalaminhada’ (caminhada com pequenos trechos de escaladas no vocabulário dos guias). Para os mais aventureiros, passeios mais caros com equipamentos para escaladas a partir de R$ 90,00.

O que você não pode deixar de ver

No caminho de cerca de uma hora e meia (1h30min) para as Prateleiras, a paisagem encanta pela mistura de pedras e um verde que insiste em ser exuberante mesmo num terreno tão inóspito. Os remanescentes asfálticos da BR 485 – a mais alta estrada que o Brasil já teve, idealizada por Getúlio Vargas, que segundo a história tinha no Parque um de seus recantos favoritos – nos levam até a Cachoeira das Flores.

A visão da Cachoeira, no Rio Campo Belo, é incrível. Tão próxima da nascente e ao mesmo tempo tão caudalosa. Deu até pra fazer um mergulho corajoso nas suas águas geladas que, segundo o nosso guia, estavam abaixo dos 10 graus. Congelei (!) mas foi revigorante.

A Pedra da Tartaruga é outro ponto de parada curioso. Além do formato que lembra o do anfíbio, a pergunta que fica é: Como uma pedra deste tamanho pode ficar equilibrada numa área tão pequena de contato com o solo? Ao lado da rocha, para completar o cenário, a lagoa Dourada, um espelho d’água de deixar boquiaberto.

Para finalizar o passeio, a vista também intrigante das Prateleiras, que parecem pedras colocadas por Deus uma em cima da outra, no encaixe quase perfeito de um gigante quebra-cabeças. Ao longo de todo passeio contamos ainda com a onipresença do ponto culminante do estado do Rio de Janeiro emoldurando o cenário: o Pico das Agulhas Negras (um outro passeio que pretendo fazer qualquer dia desses!).

                           

Dicas para o mochileiro

Para este destino especificamente, a dica importante é a escolha do dia para a ida. Por se localizar num ponto tão alto, a presença de nuvens pode atrapalhar o passeio e dificultar a visualização das prateleiras. É quase assim: acordou cedo, olhou pela janela, viu que vai ser um dia ensolarado, partiu pras Prateleiras. Outra dica: nunca ande com a sua máquina fotográfica na mão pelos caminhos pedregosos do Parque ou você pode ter que arcar com o prejuízo.

Visite também o meu blog: O Vencedor

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...