O que não falar no primeiro encontro?

Encontros são meio constrangedores, você nunca sabe o que dizer, afinal, você esta conhecendo a pessoa e ainda precisa descobrir as afinidades entre vocês. Na semana passada tive um encontro, até deixei a preguiça de lado e fiz as unhas.

Até os 45 minutos do 2º tempo não estava encarando como um encontro do tipo romântico, achei que seria mais um encontro pra falar sobre projetos e ideias que temos em comum. Mas, confesso que queria saber se tínhamos mais em comum do que o desejo de criar, reinventar… É fascinante quando encontramos alguém que “fala a mesma língua”.

Mas não sou boa com encontros românticos, aliás, não sou boa com relacionamentos, me sinto testada, analisada o tempo todo, fico tensa e acabo estragando tudo. Não consigo ser natural. Quando pedi pra ele definir ‘encontro’ a resposta foi: “Engraçado. No estilo comédia romântica”. Foi o suficiente pra me dar a certeza que eu queria esse encontro, mas não o suficiente pra me deixar tranquila.

Então, a primeira coisa nessa situação é, respirar fundo e deixar o que tiver que ser acontecer. Não tem como planejar, ensaiar na frente do espelho tudo o que vai falar. Tem que deixar a coisa fluir naturalmente. Quando tem que ser, simplesmente acontece.

O segundo passo é estar confiante. Quando você se sente segura, é mais fácil se entregar ao momento, ao invés de ficar se preocupando se exagerou na maquiagem ou se seu cabelo esta bonito. Nada de exageros na produção. Simplicidade e naturalidade, são as palavras de ordem.

Eu fui assim. Encontro a tarde no shopping.

Agora voltando ao meu encontro. Sabe quando parece que você já conhece a pessoa a muito tempo? Pois é. E foi bem como ele disse que seria, engraçado. Ri, até ficar com a bochecha dormente. Ri, até chamar atenção das pessoas em volta. Pessoas que, por alguns momentos, esqueci que estavam ali.

Era tanta coisa que a gente tinha pra falar, que os assuntos fluíram. Não teve nenhum segundo de silêncio constrangedor. O que faltou foi tempo pra tanto assunto. E a melhor parte, sem regras. Sem a ditadura do politicamente correto. Sem pudor.

No começo as pessoas procuram mostrar só o seu lado positivo. Dizem que falar de ex, passado, das loucuras que já fizemos… são assuntos proibidos em um primeiro encontro. E eu pergunto, por que?

Onde fica a espontaneidade, a sinceridade?? No começo todo mundo quer mostrar só o lado bom, positivo, como se a vida tivesse sido sempre um mar de rosas. E sabemos que não é assim. Todo mundo, vai acumulando pelo caminho uma bagagem de vida, de coisas boas e outras nem tanto. Se você pretende conhecer alguém de verdade, não tem como ignorar isso. Você precisa se desfazer dos julgamentos.

Confesso que em alguns momentos me peguei pensando “Que cara doido. O que eu to fazendo aqui?”. Mas por outro lado eu pensava “Nossa, poucas pessoas teriam coragem de confessar essas coisas. Que incrível. Que pessoa interessante.” Em nenhum momento ele quis me mostrar ser perfeito, e foram suas imperfeições que me fizeram continuar ali, admirando estarmos juntos. Sendo o que somos, sem tentar impressionar o outro.

Fico me perguntando que outra mulher ficaria ali, ouvindo tudo aquilo, sem pensar em pegar sua bolsa, falar que ia até o banheiro e sumir. Chego a conclusão que sou tão louca e imperfeita quanto ele. Refletida no espelho.

Então, se eu for falar pra você, o que não falar no primeiro encontro, seria: Não fale o que você não é. Não tente mostrar ser outra pessoa. Simples assim! O outro tem que gostar de você pelo que é. A partir do momento que  ele  julgar seu passado, seus erros, é um sinal que não tem como existir um futuro.

Ter alguém do lado, que só sabe criticar, apontar os defeitos e julgar, não é uma boa opção.

Mas acho que no fim, acabo estragando tudo sempre. Não sei demonstrar interesse, ou pareço desesperada demais, ou desinteressada. Relações, relacionamentos, paixões, seja lá qual definição queira dar, ainda me deixam muito assustada. Depois de tantas decepções, a gente cria uma barreira. Evitar se envolver parece bem mais seguro.

Neste momento tô me sentindo bem idiota por ter me deixado envolver. Ou talvez seja só TPM. Seja o que for, uma hora passa, tudo passa.

Enfim, acho que é isso. Não sei como terminar esse texto, porque também não queria que esse encontro tivesse fim, e prolonguei o quanto pude.


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Sobre Vera Paiva

Carioca, 29 anos, mãe de adolescente, namora o homem dos seus sonhos, apaixonada por Deus. Ama doces, mas vive em crise com a balança. Pratica muay thai para manter a sanidade e sonha em dominar o mundo.

Twitter: @oiVerinha Contato: contato@oipreguica.com