Essa pergunta, que ronda tantas cabeças, recentemente virou até nome de peça de teatro. Então, será que alguém tem a exata resposta? Por que um ser humano em sã consciência abriria mão de sua total liberdade pela vida a dois? (leia-se aqui ‘liberdade’ como sinônimo de fazer o que quiser, sair pra onde bem entender sem dar qualquer satisfação, convidar os amigos pra sua casa sem ter de perguntar a opinião de ninguém antes, gastar seu dinheiro com viagens e deixar as reformas da casa pra depois, beijar as bocas que sentir vontade, se for o caso, não ter hora pra chegar em casa, pintar a parede da sala de roxo com bolinhas rosas se te der na veneta, não ter que dividir seu edredon…).
Nessa brincadeira já deu para perceber que não são poucas as coisas das quais abrimos mão para ter alguém que esquente nosso pezinho à noite (toda noite, melhor dizendo). Jogo novamente a pergunta para vocês: em pleno século XXI, com tanta liberdade de escolha, independência feminina, liberação sexual, corpos sarados, múltiplas opções de diversão, redes sociais, encontro virtuais, casar para quê? Hoje, quando as mulheres não precisam mais da maternidade para cumprirem seu papel social, já que estão arrebentando no mercado de trabalho; hoje, quando sonhamos cada vez mais alto e queremos sucesso na carreira, conhecer o mundo, fazer mestrado e doutorado e não sei mais o quê… me diga você, com tudo isso: casar não é só um detalhe?
Pode parecer, mas na verdade não acredito que seja. Se tenho provas? Tenho: não conheço uma só amiga que não tenha vontade de casar, e no fundo quase todos os amigos também têm (exceto aqueles metidos a garanhões irremediáveis… só que muitas vezes mesmo para esses a hora chega). Até devem existir exceções, pessoas que precisam de muito espaço, são muito independentes e realmente não querem casar. Acho válido. Cada com um com seus problemas, e com suas soluções. Cada um com sua “receita” de como viver bem. Minha teoria (nada científica) é a de que pode ser divertidíssimo ser solteiro… por um tempo. Olhando de pertinho, ninguém (ou quase ninguém) sonha viver sozinho a vida inteira. Mas simplesmente não ficar só, não “ficar para titia(o)”, como dizem, isso já é motivo bom suficiente para casar?
Quando digo “casar” não me refiro necessariamente a rituais e festas de casamento, com vestido branco+bolo+champagne. Isso é até bem legal (adoro ser convidada para festas de casamento, inclusive), mas não é imprescindível. Quando penso na palavra casamento penso na dobradinha amor-de-verdade+parceria. Acho que é isso que todos nós queremos no final das contas. Com a tradicional festa ou sem ela. Se sentir casado com alguém é mais do que assinar papéis e fazer juramentos para a sociedade ouvir. Não que formalizar as coisas seja ruim, nada disso. Só quero dizer que para casar é o seu coração quem tem de jurar primeiro.
Alguns podem pensar: mas que romantismo mais bobo e ultrapassado. Em primeiro lugar: ser romântico não é ser bobo. Ao contrário: é ser corajoso, é ser capaz de se entregar para vida, e isso nunca estará ultrapassado. Depois, já que o assunto aqui é casamento, podem acreditar: para que essa aventura dê certo há de se ter muito amor mesmo, porque não é exatamente fácil. Como eu disse logo no primeiro parágrafo, muitas coisas mudam. Você obviamente não perde sua individualidade, mas… aprende a fazer concessões. Algumas que você nunca se imaginou fazendo (eu, por exemplo, parei de fumar). Você aprender a conviver com diferenças, defeitos do outro (e também com os seus próprios, defeitos que já estavam contigo, mas você não via… e o outro, adivinhe só: o outro vai ver e vai te dizer, não tenha dúvidas).
“Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura.” Já dizia Guimarães Rosa. E ele tinha razão. O amor é que nos embaça a capacidade de ter ódio, o amor nos torna mais generosos, a gente até se irrita (às vezes muito!), mas dali a minutos pede desculpas e dá um beijinho para passar.
Para finalmente dar a minha (tentativa de) resposta para a pergunta do título, eu digo: casar para aprender a amar de perto. Para ter com quem contar; e mais: para ter o prazer de desejar estar sempre perto para que o outro conte contigo. Casar para compartilhar sonhos com alguém em quem você confia, alguém que vai aprender a acumular as funções de amante e de amigo. Casar para conhecer intimamente o outro, aprender a ler suas entrelinhas, a compreender; e de quebra sentir a tranquilidade de ser compreendido, perder o medo de ser julgado (afinal, vocês jogam no mesmo time, e as críticas hão de ser construtivas). Casar para construir uma família, ter filhos (para aqueles que, como eu, querem tê-los, é claro. Não é obrigatório… rs). Casar porque depois de passada a euforia dos primeiros meses, você continua sentindo uma quenturinha boa quando ele (ou ela) te olha nos olhos e diz que te ama. Casar para construir um futuro, aprendendo com o outro e ensinando o que de melhor você tem para ensinar.
Casar, enfim, para sentir o sossego de querer sempre voltar para casa, porque é lá que está o que realmente te interessa na vida. Afinal, no nosso tempo ou em qualquer outro — que já passou ou que ainda há de vir — “quem pode querer ser feliz se não for por amor?”.
Imagem/fonte: Tumblr e WeHeartIt











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